Vira e mexe encontramos alguém dizendo "Ah, português é muito complicado!" "Português é uma das línguas mais difíceis do mundo" e pereré parará... Balela!
Nós achamos que português é complicado porque somos ensinados desde pequenos a aprender português na escola de uma maneira ultrapassada, arcaica. Somos obrigados a aprender uma modalidade de língua que não expressa a realidade do idioma falado no nosso país, na verdade somos obrigados a aprender um ideal de língua que mais se aproxima da forma falada em Portugal. Sendo assim, claro que o português seria complicado, afinal estamos aprendendo uma forma de falar da qual não vemos a real necessidade de usá-la no dia a dia.
Nós achamos que português é complicado porque somos ensinados desde pequenos a aprender português na escola de uma maneira ultrapassada, arcaica. Somos obrigados a aprender uma modalidade de língua que não expressa a realidade do idioma falado no nosso país, na verdade somos obrigados a aprender um ideal de língua que mais se aproxima da forma falada em Portugal. Sendo assim, claro que o português seria complicado, afinal estamos aprendendo uma forma de falar da qual não vemos a real necessidade de usá-la no dia a dia.
A verdade é que a língua, como ela é falada, não é complicada. Se fosse assim ninguém falaria chinês, alemão, húngaro, hebraico, etc... Mas a partir do momento que somos obrigados a falar uma modalidade de língua que não corresponde a nossa realidade, ela se torna complicada, já que temos que gravar uma série de regras que pra nós são inúteis, já que não as usamos.
Não estou dizendo que não seja preciso ter um modelo de língua e escrita. É preciso sim, visto que moramos num país onde a diversidade cultural é muito grande. Se não houvesse uma padronização um cearense escreveria um livro que um gaúcho não entenderia, por exemplo, e vice-versa. Mas o que eu quero enfatizar é que essa padronização deveria ser a mais próxima possível da linguagem real do brasileiro. E o que dizer da chamada norma culta? Culta de que ponto de vista? Se essa norma "culta" está se referindo à forma de falar da população culta, essa norma precisa de uma reforma urgente. Afinal, nem mesmo a população considerada culta diz "Amar-te-ei" (como a gramática ordena) em vez de "Vou te amar". (Já imaginou Tom Jobim cantando: "Eu sempre amar-te-ei/ Por toda minha vida amar-te-ei"?)
A língua surgiu primeiro que a gramática, sendo assim, esta deve estar subordinada à língua e não o contrário. Quando aprendemos a linguagem nos primeiros anos da infância, aprendemos primeiro a falar e só depois aprendemos a ler e escrever, e mesmo assim conseguimos atingir muito bem o objetivo da linguagem: nos comunicar.
Nós somos os falantes da língua, nós mandamos nela, nós que a modificamos. Embora seja necessário aprender a escrever e a falar de acordo com a norma padrão (por causa dos motivos já citados), ela própria está sujeita a alterações causadas pelos legítimos detentores da norma da língua, ou seja, nós, os falantes dela. Afinal, se fosse assim ainda estaríamos falando latim, mas a língua muda, segue seu rumo e aqui estamos nós hoje, falando um latim tão diferente que chamamos de português.