quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Português é muito complicado... será?

Vira e mexe encontramos alguém dizendo "Ah, português é muito complicado!" "Português é uma das línguas mais difíceis do mundo" e pereré parará... Balela!

Nós achamos que português é complicado porque somos ensinados desde pequenos a aprender português na escola de uma maneira ultrapassada, arcaica. Somos obrigados a aprender uma modalidade de língua que não expressa a realidade do idioma falado no nosso país, na verdade somos obrigados a aprender um ideal de língua que mais se aproxima da forma falada em Portugal. Sendo assim, claro que o português seria complicado, afinal estamos aprendendo uma forma de falar da qual não vemos a real necessidade de usá-la no dia a dia.

A verdade é que a língua, como ela é falada, não é complicada. Se fosse assim ninguém falaria chinês, alemão, húngaro, hebraico, etc... Mas a partir do momento que somos obrigados a falar uma modalidade de língua que não corresponde a nossa realidade, ela se torna complicada, já que temos que gravar uma série de regras que pra nós são inúteis, já que não as usamos.

Não estou dizendo que não seja preciso ter um modelo de língua e escrita. É preciso sim, visto que moramos num país onde a diversidade cultural é muito grande. Se não houvesse uma padronização um cearense escreveria um livro que um gaúcho não entenderia, por exemplo, e vice-versa. Mas o que eu quero enfatizar é que essa padronização deveria ser a mais próxima possível da linguagem real do brasileiro. E o que dizer da chamada norma culta? Culta de que ponto de vista? Se essa norma "culta" está se referindo à forma de falar da população culta, essa norma precisa de uma reforma urgente. Afinal, nem mesmo a população considerada culta diz "Amar-te-ei" (como a gramática ordena) em vez de "Vou te amar". (Já imaginou Tom Jobim cantando: "Eu sempre amar-te-ei/ Por toda minha vida amar-te-ei"?)

A língua surgiu primeiro que a gramática, sendo assim, esta deve estar subordinada à língua e não o contrário. Quando aprendemos a linguagem nos primeiros anos da infância, aprendemos primeiro a falar e só depois aprendemos a ler e escrever, e mesmo assim conseguimos atingir muito bem o objetivo da linguagem: nos comunicar.

Nós somos os falantes da língua, nós mandamos nela, nós que a modificamos. Embora seja necessário aprender a escrever e a falar de acordo com a norma padrão (por causa dos motivos já citados), ela própria está sujeita a alterações causadas pelos legítimos detentores da norma da língua, ou seja, nós, os falantes dela. Afinal, se fosse assim ainda estaríamos falando latim, mas a língua muda, segue seu rumo e aqui estamos nós hoje, falando um latim tão diferente que chamamos de português.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dicas para escrever bem

1 - Vc. deve evitar abrev., etc.

2 - Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita d
emasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática 
advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.

3 - Anule aliterações altamente abusivas.

4 - "não esqueça das maiúsculas", como já dizia dona loreta,
minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.

5 - Evite ditados populares assim como o diabo foge da cruz.

6 - O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7 - Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8 - Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?

9 - Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa merda.

10 - Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.

11 - Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma
palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12 - Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo:
"Quem cita os outros não tem idéias próprias".

13 - Frases incompletas não são.

14 - Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa
de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.

15 - Seja mais ou menos específico.

16 - Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17 - A voz passiva deve ser evitada.

18 - Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente
será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação

19 - Quem precisa de perguntas retóricas?

20 - Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21 - Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.

22 - Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

23 - Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24 - Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!

25 - Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a
compreensão da ideia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.


26 - Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.

27 - Seja incisivo e coerente, ou não.